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O trabalho do Futuro... de que tanto se fala



Laerte Idal Sznelwar – Instituto Trabalhar

Quando se fala de tendências para o trabalho do futuro, do que estamos falando? No ponto de vista defendido pelo Instituto Trabalhar inspirado nas ciências do trabalho, em especial o da psicodinâmica do trabalho e da ergonomia centrada na atividade, há uma perspectiva fundamental: O trabalho deve ser adaptado ao SER HUMANO. Ainda mais, o trabalho deveria ser considerado como protagonista principal dos sistemas de produção.


Nossa, o que isso significa? Em primeiro lugar o ser humano é um universo de diversidade, trata-se de um ser social, que nasce completamente dependente dos outros, que tem um enorme potencial de desenvolvimento, que tem desejos, que precisa ser educado para poder viver em sociedade – um ser gregário, que tem sexos e gêneros diferentes, que tem trajetórias de vida sempre singulares, que pode ter compleições físicas muito distintas, que pode ter cores diferentes, que tem idades diferentes, que pode desenvolver a sua inteligência de modos distintos, que pode ter tido acidentes e doenças ao longo de sua vida, que pode ter nascido com algum tipo de deficiência ou ter desenvolvido alguma modalidade de deficiência ao longo da vida, que passa por momentos muito distintos de sua vida, incluindo momentos de maior ou menor capacidade para trabalhar, incluindo momentos de maternidade e paternidade, que vive em diferentes ambientes naturais e artificiais e, que de algum modo tem a morte no seu horizonte.


Com todas essas questões, como pensar um trabalho adaptado a tantas características distintas. Talvez não devêssemos pensar algo fixo, definido e definitivo; vista a dinâmica da vida, seria melhor pensar em trabalhos adaptáveis ao humano. Isto seria ir de encontro àquilo que foi e, ainda é, muito prevalente no mundo da produção. O que mais houve até hoje foi considerar o trabalho como uma pena para o tempo da vida ativa do sujeito, algo que ele se libertaria na aposentadoria; o trabalho como algo que exige muito, muitas vezes, excessivamente, sem limites; algo que, cada vez mais, deve depender quase que exclusivamente do indivíduo; de algo que através de modos mais drásticos ou sutis, reforça os processos de dominação; de uma estrutura que reforça as desigualdades sociais, de sexo e gênero, e de oportunidades; provedor de sustento mas, no mais das vezes, desvalorizado e não reconhecido; sempre a ser substituído por uma máquina ou automatismo, e assim vai.....


A nossa perspectiva seria muito distinta dessa explanada no parágrafo anterior. O trabalho deveria ser pensado em todos os sistemas de produção, em todos os setores da economia, em instituições sejam públicas ou privadas, como algo que propicia! 

Propicia o quê? Primeiramente que seja um lugar de desenvolvimento pessoal e coletivo, como uma contribuição para o que é importante em termos de produção de bens e serviços, mas sobretudo para a produção de instituições e de uma sociedade verdadeiramente justa.


Este desenvolvimento teria sempre a ver com a questão profissional. Não se pode continuar a tratar o trabalho como uma ocupação, mas sempre como uma profissão que tem referências à sua história, às suas tradições, enfim que se inscreva no que é durável, no que pode ser considerado sustentado, que tenha presente, passado e futuro. 


O humano inscrito no ambiente de modo que este também seja desenvolvido, não destruído, poluído, lugar de morte e desolação para outras espécies animais e vegetais. O ambiente pensado em seu conjunto, seja ele nas cidades, campos, oceanos.... Isto não apenas como preservação, mas como pensamos no âmbito da saúde, como lugar de promoção; isto é, que se trabalhe também para recuperar e desenvolver os diferentes ecossistemas nos quais vivemos e trabalhamos.


Enfim, tudo isso, pensando que estamos pensando na construção da saúde; saúde como algo a ser desenvolvido e que esteja relacionado com a possibilidade de. De agir no mundo, de conviver com os outros de modo justo e equitativo, de se sentir útil, fazendo coisas belas e se tornando mais e mais mestre do seu fazer. Lembrando que nada no humano é exclusivamente individual; sempre vivemos em relação, sempre vivemos com os outros, dependendo uns dos outros.

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