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Julgamento e reconhecimento no mundo do trabalho - um tema de fundamental importância para a relação saúde mental e trabalho

  • há 18 horas
  • 2 min de leitura

Para tratar do tema “Julgamento e reconhecimento”, é importante considerar que, para a Psicodinâmica do Trabalho (PDT), o sentido do trabalho está relacionado com a confirmação através do outro que fazemos algo útil, bem-feito e pertencente a uma obra comum. Em outras palavras, o outro reforça minha identidade, tanto social como psíquica, lembrando que não basta fazer algo, é necessário ter confirmação externa de que foi bem feito, é útil e relevante. A esta confirmação denominamos Reconhecimento 


Quando tentamos fazer algo, o real resiste, gerando um sofrimento relacionado ao insucesso, a não conseguir fazer o que se queria fazer, especialmente nas primeiras vezes que estamos fazendo algo inédito, que não temos maestria, que nos escapa. Em um certo momento, este sofrimento pode se converter em mola propulsora: engajamos nossa subjetividade, mobilizamos nossa inteligência para realizarmos algo que precisa ser feito e, neste momento, somos capazes de transpor o desafio. 


O reconhecimento é uma retribuição de natureza simbólica, ou seja, imaterial, intangível e abstrata. É justamente o reconhecimento que possibilita a transformação do sofrimento em prazer e, consequentemente, auxilia no sentido do trabalho, sendo fundamental para a construção de uma relação saudável com o trabalho.


Mas para eu ser reconhecido, necessariamente preciso ser julgado?


Todo sistema de produção, seja de produtos ou serviços, precisa de indicadores para que possa ser gerenciado, precisamos de métricas para dimensionarmos adequadamente a quantidade de pessoas, recursos, equipamentos, processos, e tudo mais que é necessário para uma entrega de excelência e com rentabilidade satisfatória. 


O desafio consiste em como traduzir estes indicadores para avaliar o trabalho das pessoas, considerando o resultado como algo de responsabilidade unicamente individual. Este indicador não traduz o que foi colocado de contribuição pelo sujeito, seu esforço, sua pertinência, seu repertório, avaliando em geral apenas um resultado. Isso porque o trabalhar, a mobilização e o engajamento do sujeito, não é algo visível, e tampouco é passível de ser medido e termos quantitativos.  


Então fica sempre um ponto importante para a dinâmica do julgamento: o que julgar? Como julgar?  


Vamos ao seguinte exemplo: o médico eficiente é aquele que dá atenção aos seus pacientes ou aquele que atende o mais rápido possível e não deixa gerar filas em seu consultório? 

O problema que começa a ficar óbvio é que, o que pode ser medido nem sempre condiz com o que é esperado da profissão. Além das métricas, nem sempre é possível cumprir a tarefa respeitando-se todas as regras que foram impostas numa determinada situação, muitas vezes falta tempo, em outras faltam recursos, em outras o escopo é incompatível com o que é possível ser feito. Há muito mais situações no mundo do trabalho do que gostaríamos, ou sequer imaginamos, que se configuram entre uma ou várias destas possibilidades.   


 
 
 

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